Não é a primeira vez que inicio um blog, essencialmente, para falar de uma pessoa, aquela pessoa. Mas também não é só essa a razão pela qual o criei, tenho de fazer um “relatório” de férias, da minha vida.
Chegou o verão, bendito seja! Mas estas férias parecem estar a ser diferentes. Não há vontade para fazer nada. E os amigos também não ajudam. Acho que crescemos. Estamos viciados em ser fumadores passivos, não só, mas essencialmente passivos e passamos o dia enfiados num cubiclo em que o oxigénio é substituido por nicotina e alcatrão! Bem, somos outras pessoas.
O que eu estou mesmo ansiosa para escrever é sobre uma pessoa. Uma história, no mínimo, misteriosa. Um rapaz apaixona-se por uma rapariga que nem fala. Arranja o seu número, trocam impressões, poucas. Ela é distante, até um pouco antipatica e arrogante. Ele é dos rapazes mais cobiçados do liceu mas é lhe atencioso, e não desiste. Mesmo quando ela tem alguem ( (L) ), ele não desiste. Ela fica sem esse alguém, e ainda bem. Voltam a trocar impressões, e apesar de se cruzarem no liceu, de os seus olhos se cruzarem em qualquer outro sítio, nunca uma única palavra foi dirigida. A diferença começa quando, de uma sms dele nao havia resposta dela, passam a ser duas sms’s dele e a uma sms dela. Mas a diferença ainda é maior quando às 100 sms dele, há 100 sms de resposta dela. Agora, procuravam nao se cruzarem (para não terem de lidar com a aproximação pessoal, julgo eu), mas procuravam manter-se debaixo de olho mutuamente. Ao contrário de palavras, olhares escondidos continuam a cruzar-se. Não sei se 100 se mais, o suficiente para ter de carregar a betria do telemovel todas as noites. “Conversas” longas, e por vezes vagas mas que nós enchem o coração. E são tantas as vezes em que as palavras faltam, fica um silêncio, que se estivessem frente a frente, ele e ela não precisariam de palavras, mas de um gesto. Um gesto que valeria por mil palavras, o gesto que falta. Mas a relção deles é tão forte e tão escassa. Tão forte pois o dia dela não é vivido apenas por ela, e o dia dele não é vivido apenas por ele. Quase como 24h em ligação. Tão escassa que por qualquer motivo, eles nunca se aproximaram. Nunca estiveram a menos de 3m um do outro, nunca trocaram um palavra. A diferença agora é o sentimento, que no início parecia não ser correspondido e agora parece dar sinais. Ele confiante do que sente, pelo menos afirma-o. Ela indecisa, mas fica consulada com uma simples sms a dizer “Bom Dia!”. Ela tenta fugir, até porque o passado dele deixou marcas de infidelidade. Mas ela acredita nas pessoas, e por isso, só por isso, silenciosamente aguarda um “encontro”. O tal encontro, o tal gesto que falta. Não imagino como seria a aproximação pessoal entre eles. Ela é envergonhada e para mal dos seus pecados ela também. A vontade dela é dizer-lhe “anda, vem ter comigo. estou à tua espera”, talvez a dele também seja mas.. O telemóvel dela toca, continua a tocar, está a tocar neste preciso momento, e ao som, ao ritmo do telemovel o seu coração bate, bate e bate com tanta força e com tanta esperança que o telemovel volte a tocar. O telemovel tocou, até amanhã, vou responder.