Foi ontem a tal noite. Sim ele foi, sim eles viram-se, sim eles tentaram desviar os olhares e sim eles não se falaram! Havia uma aposta, mas nenhum deles teve coragem de a cumprir. Deixando as emoções de lado e seguindo uma ordem cronológica a noite teve muito que se lhe diga. Ela tem a certeza que vai, ele tenta convencer os papás. Ele vai. Ela sai de casa, encontra-se com os amigos e vão para o sítio de partida da peregrinação. Ela encontra um amigo que por acaso é amigo dele e que sabe mais ou menos da história. O amigo nem queria acreditar quando falou no nome Dele e os olhos Dela brilharam, e soltou um sorrisinho maroto. Ele, o amigo, pôs em hipotese isto não dar em nada por Ele, o tal, ser muito tímido, mas também estava felicissimo por poder vir a acontecer algo. Eu avisei-O, que estava com o amigo e estive para ali a servir de pombo correio =D Era meia noite e meia quando começamos a andar. Ele e ela sempre em contacto, telemovel claro. Estavamos com o passo acelerado e claro mochilas carregadissimas. E depois já se sabe, bebemos, bebemos, bebemos . . . Ela bebeu, muito, estava “alegre” mas ainda conseguia mandar-Lhe notícias. Respondia a todas as mensagens, e sim sabia o que estava a escrever. Na barragem decidiu arrumar o copo. Gosta quando consigue levar a sério as suas decisões. Fomos andando, andando, segurando-nos uns aos outros. Ela teve uma conversa com um amigo, uma pessoa quando não está no seu juízo perfeito diz coisas que não devia. Começaram a falar de amores e paixões, e confessaram-se, apartir daquele momento já não era Ela e o Sentimento. Era Ela, Um amigo, O sentimento e O alcool. Ela viu-O lá na festa de Gração, mas mais uma vez nenhuma palavra nenhum sorriso, num cumprimento foi trocado. Mas mesmo assim Eles não paravam de trocar mensagens. Ela chegou lá bem mais depressa que ele, ainda deu as voltas à capela e voltou para cima para a estrada. Finalmente, chega Ele e o seu grupo e claro nem um olhar foi trocado. Vendo que a “noite” está a acabar, Ela diz -Lhe que tal como tinha dito Ele não cumpriria a aposta. Quase como, provocação. A bateria do telemovel dela acaba. E é aí que chega o momento mais difícil da noite ( e a caminhada custou bastante), a hora da partida. Não é o partir que foi difícil. Foi partir, no mesmo autocarro que Ele partia. Não nos tinhamos visto, pelo menos eu não tinha. Ele estava lá, sentado de pernas esticadas na última fila, e Ela despachada como é, depois de terem entrado dois amigos vai em direcção á ultima fila. Fica burra quando vê um amigo dele, o rapaz também ficou espantado. Aí ela pensou, “calma, se este está aqui Ele também está”! E estava. O espanto dos dois que não sabiam onde se enfiar. Ele deslizou sobre o banco de maneira a tapar o rosto. Ela sentou-se umas quatro filas à sua frente mais ou menos, e o amigo da confissão sentou-se com ela. Iam os dois no banco, e ela não resiste e confessa, mais uma vez, ao amigo que Ele estava ali. Ela levou um gozinho, no estado em que o amigo estava ele era capaz de tudo. A viagem correu, ela agiu normalmente, falou, gritou, virou-se para trás para falar com os amigos. Ela queria tanto vê-lo, mas não podia! Ela não podia olhar! Ela não teria razões para a olhar. A viagem acabou, fomos saindo. Ela saiu e seguiu o seu caminho. Ela ficou lá estatelada num banco de paragem. Hoje, quando chegou a casa às 9h, ela tomou um duche rápido, e antes de dormir, virou e revirou o telemóvel. Leu tudo que tinha de ler, viu as imagens todas, só depois é q conseguiu adormecer. Dormiu pouco e mal, como se tivesse a ter algum pesadelo. Até acordou bem disposta, mas como costuma acontecer depois destas festas com muito alcool, ela fica amuada. Ela está amuada. Ela está triste. Ela está apaixonada.